Sinto falta da falta
Ao acordar notei a falta de algo que estava ontem ao meu
lado. Mas, não sei o que é. Sei que ta faltando um pedaço de mim, uma parte do
todo, mas não sei o que é. Será uma xícara, um CD, meus chinelos, livros ou sei
lá, quem sabe não sejam objetos e sim a disposição, coragem, algum
sentimento.
Não sei o que é. Não sei mesmo.
Engraçado isso.
Vejo-me em desespero por sentir a falta de algo que eu não faço à mínima ideia
do que seja. Acalmo-me, olho pro outro lado da cama e vejo que está vazio. Eu
acordei e não vi ninguém ao lado. Será que é isso? Ta faltando alguém? É você?
Acho que não. Sua presença é importante sim, mas não a ponto de causar tamanho
desespero em mim.
Paro pra pensar,
respiro fundo, coloco a mão no peito e sinto o coração pular que nem maluco.
Sinto uma dificuldade de organizar as ideias e de me mover. Fico sentada por
uns dez minutos tentando descobrir o que é que falta, o que é que foi embora na
madrugada enquanto eu dormia. Passa o tempo e não chego a nenhuma conclusão.
Resolvo me levantar
com toda dificuldade do mundo, arrumo a cama e sigo para o banheiro. Tiro a
roupa, me olho no espelho e vejo que ta tudo certo, tudo no lugar, não falta
nenhum pedaço do meu corpo, ta tudo ali. Abro o chuveiro e deixo a água cair
pelo meu corpo, da cabeça aos pés. Sinto um imenso alívio.
Volto para o quarto
para me vestir. Sinto um cheiro que me é familiar, um perfume que eu conheço,
ignoro o fato. Vou tomar um café. Saio para caminhar. Volto pra casa. Percebo
que ninguém esteve presente enquanto estive ausente. Vou seguindo o dia e no
final da tarde bate o desespero que senti pela manhã. Dessa vez entendo o que é
que falta.
Falta você, mas o problema não é a sua falta e sim a falta se algo
em mim. Sinto a falta de sentir sua ausência, de sentir saudade do seu toque,
da sua respiração, da sua voz, das palavras ditas ao pé do ouvido. É isso! O
que falta é a saudade de você. Não a sinto me fazendo companhia. Agora entendo:
meu desespero foi causado por que percebi que não sinto falta do que achava que
ia sentir.
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